Cartas
CartasCarta Especial de Crédito BDCs EUA
A correção no mercado de private debt americano e as lições para o mercado brasileiro
As ações das Business Development Companies (ou “BDCs”) registram queda relevante de preços nos últimos 12 meses, com reflexo também sobre o valor das ações das Asset Managers alternativas americanas, em um movimento agravado nessa semana pela alteração das regras de resgate de um dos veículos da gestora Blue Owl. As BDCs são um dos instrumentos utilizados pelos veículos de private debt americanos, o segmento de maior crescimento na indústria de gestão de recursos nos EUA nos últimos anos (atualmente com mais de US$ 1 trilhão em ativos). Nessa carta, buscamos abordar a natureza das BDCs, a origem do problema e os aprendizados para o mercado de crédito brasileiro.
O que está acontecendo nos EUA?
O crédito privado deveria ser o “yield seguro”, dominado por empréstimos que proporcionam prioridade no acesso ao fluxo de caixa e aos ativos das devedoras em caso de inadimplência.
Nos EUA, os fundos de crédito (ou “private debt”) são dominados pelos maiores nomes globais da gestão de recursos, como Blackstone, Ares e Apollo.
Para a maioria das pessoas (especialmente os investidores de varejo americanos), as BDCs são a única forma de acessar as operações de private debt diretamente, diversificando a alocação dos investimentos em ofertas públicas de bonds. As Business Development Companies (“BDCs”) pegam empréstimos no estilo institucional, empacotam os financiamentos concedidos e emitem ações negociadas em bolsa. A exposição aos empréstimos privados que fundos de pensão e investidores institucionais compram por meio de veículos fechados com prazos longos e investimentos mínimos de sete dígitos, o pequeno investidor consegue comprar através de ações das BDCs na sua corretora, com um dividendo gordo. O que poderia dar errado