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Equilíbrio Instável – Uma leitura do crédito ao consumidor no Brasil.

|18.06.2026

Hyman Minsky construiu sua reputação intelectual ao redor de uma intuição simples: a estabilidade gera instabilidade.
Quando um sistema financeiro atravessa um período prolongado em que nada de grave acontece, os agentes (credores, devedores, reguladores) recalibram as expectativas. O que parecia arriscado vira tolerável. O tolerável vira normal. As margens de segurança embutidas nos contratos encolhem sem que ninguém tenha decidido encolhê-las. O sistema, sem alarde, vai migrando de uma postura defensiva para uma especulativa — porque a especulativa está sendo melhor remunerada.

Minsky era cuidadoso em não fazer previsões pontuais. A hipótese não diz quando algo vai dar errado. Diz apenas que, à medida que a estabilidade se prolonga, o custo de descobrir a fragilidade se acumula. E que, em algum momento, algum evento a expõe.

A tese desta carta: o crédito às pessoas físicas no Brasil está em um equilíbrio instável.

Os indicadores de alavancagem e, sobretudo, de serviço da dívida das famílias colocam o Brasil em uma tendência que, em qualquer outra economia comparável, teria sido associada a sinais explícitos de estresse (queda do consumo, deterioração das carteiras, restrição mais severa na originação de crédito). Apesar de, no Brasil, esses indicadores serem observados em níveis elevados há vários anos, vimos uma piora relevante no passado recente que nos faz acreditar que estamos em patamares insustentáveis e sem solução simples.

Esta carta se propõe a organizar essa leitura e mostrar como o Brasil se posiciona em comparação com outras economias, além de explorar impactos nas nossas decisões de investimento.


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