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Carta Macro Maio 2026

|08.06.2026

O mês de maio foi caracterizado pelo impasse nas negociações entre EUA e Irã. Ao longo do mês, houve várias expectativas de acordo e esperança de reabertura do Estreito de Hormuz que, no entanto, não se concretizaram. O preço do petróleo oscilou para baixo, mas ainda não voltou para os patamares de antes da guerra. Persiste a tensão na região do Golfo, intensificada com os ataques de Israel ao Líbano. Por enquanto, não há retomada do fluxo normal dos navios na região, de modo que toda a cadeia de petróleo e derivados segue com os preços elevados. A situação ameaça se espalhar para os preços agrícolas, elevando a inflação do ano que vem, pois o encarecimento dos fertilizantes pode comprometer a produtividade das próximas safras.

Nos EUA, a inflação segue elevada e os dados de emprego (payroll), que vinham caindo, se estabilizaram, o que puxou as taxas de juros das “Treasuries” para cima, principalmente na parte mais curta da curva. O Federal Reserve (Fed) vinha trabalhando com um viés de baixa no comunicado, o que indicava intenção de voltar a cortar a taxa básica em futuro próximo. No entanto, na última reunião (abril), esse viés de baixa já foi criticado por alguns membros e, no mês de maio, outros membros do comitê indicaram desconforto com essa posição, o que indica que deve ser formalmente retirado do próximo comunicado. No momento, os preços embutidos na curva de juros pressupõem um aumento de 0,25% na taxa do Fed Funds até o fim do ano, mas isso vem oscilando bastante de acordo com os preços do petróleo. Não se pode descartar, no entanto, um cenário de alta de juros nos EUA, bem como na Europa e em outras regiões.


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